Espécie, o teatro físico de Valéria Braga e Rodrigo Cunha, feito em Goiás, ganha o mundo num diálogo de amplas possibilidades com outras culturas

Teatro é espaço de magia e encantamento, onde coisas misteriosas acontecem, não apenas no palco, mas no coração de cada espectador. Quando as luzes da ribalta se acendem, o mundo lá fora se apaga e cortamos os fios da realidade para viver uma experiência que mobiliza emoção, memória e fruição.
Agora, imagine a experiência de um mergulho profundo na escuridão e no silêncio do espaço, não só do teatro e do palco, mas de nós mesmos, beirando o retorno à caverna, um mundo sem linguagem verbal. Assim, como se estivéssemos nos primórdios da humanidade, com uma luz incerta a ferir e acordar nossos olhos para flashes, cenas de um corpo em frenética metamorfose, às vezes bicho, dos mais diversos bichos, às vezes homem, mulher nascida do caos do futuro que nem foi vislumbrado ainda, abismos de montanhas e oceanos, respiração, pulsar da vida.
O suor humano sulcando e pigmentando as paredes da caverna, um princípio de linguagem, de registro. Tudo isso em um corpo solitário, que se contorce, desfigura e configura, subverte músculos e sentidos. Isso é o Espécie, o teatro físico de Valéria Braga e Rodrigo Cunha, feito em Goiás, e que ganha o mundo num diálogo de amplas possibilidades com outras culturas.
